segunda-feira, 24 de outubro de 2011

MIASMA - INFLUÊNCIA MIASMÁTICA

MIASMA - INFLUÊNCIA MIASMÁTICA

O termo “miasma”, ao longo da história da medicina, serviu para designar as emanações de locais ou de corpos em decomposição, que poderiam ser as causas de doenças. Os miasmas são tendências energéticas que predispõem um indivíduo a manifestar uma determinada doença.

Em Homeopatia, o termo "MIASMA" foi utilizado pelo Dr. Hahnemann, para denominar uma perturbação dinâmica da força vital, que predispõe o organismo para a doença.
Podemos definir miasma como:

“O miasma é a contraparte energética negativa do princípio universal latente, automática, dotada de vontade própria, de acção cristalizadora que pela sua natureza se opõe à força criadora, agindo como mecanismo de regulação, a doença propriamente dita.”

Segundo o Dr. Hahnemann, desde que o homem apareceu sobre a Terra que esta perturbação é herdada de pais para filhos, ou adquirida ao longo da existência do indivíduo. Desde então, as mil e umas enfermidades que afligem o homem e toda a espécie viva, não pararam de se manifestar.
Embora os miasmas possam manifestar-se através de um agente infeccioso, a infecção propriamente dita não é um miasma, porque, ainda que os organismos patogénicos possam ser eliminados ou suprimidos, pelo tratamento alopático através do uso de antibióticos, os traços energéticos subtis do agente infeccioso subsistem num nível oculto (só o medicamento homeopático pode absorver estas energias subtis).
Estas energias, associadas a doenças, são incorporadas no campo biomagnético do indivíduo e nos seus corpos subtis superiores. Os miasmas permanecem aí até que a sua toxicidade latente seja libertada a nível molecular/celular do indivíduo, onde as alterações destrutivas ou doenças se podem manifestar. No entanto, a doença que ocorre de forma retardada é diferente da que está associada ao agente patogénico original.
Os miasmas enfraquecem as defesas naturais do organismo em determinadas áreas, e criam uma tendência que propicia uma posterior manifestação da patologia.
As pesquisas convencionais sugeriram possíveis modelos médicos para as doenças miasmáticas.
Por exemplo, certos vírus não só podem produzir sintomas relacionados com doenças, como também conseguem fazer com que o seu DNA se incorpore nos cromossomas, do seu hospedeiro humano. Uma vez lá, o DNA do vírus pode subsistir e até mesmo ser replicado, por engano, junto com os cromossomas do próprio corpo durante a divisão celular.
Se o DNA do vírus, se incorporar às células sexuais do corpo (isto é, aos espermatozóides e aos óvulos) então o DNA do vírus, teoricamente, poderá passar para as gerações futuras.
Quando debaixo de stress, quer seja fisiológico interno ou ambiental, o DNA do vírus pode ser activado e o vírus latente emerge do seu estado adormecido. O DNA que controla a expressão desse vírus, pode ser transmitido de geração em geração antes de se manifestar no indivíduo. A combinação do stress tanto biológico, como ambiental ou emocional, actua em conjunto com o DNA do vírus para produzir no corpo, alterações celulares anormais que acabam por se manifestarem no corpo pela patologia.
Embora o modelo do vírus sugira maneiras através das quais os agentes tóxicos podem afectar de forma adversa o indivíduo e a sua descendência, os mecanismos básicos referentes aos miasmas adquiridos e herdados, são geralmente de natureza energética subtil e não molecular.
Os miasmas estão mais relacionados com os efeitos vibratórios dos agentes etiológicos do que com os seus efeitos físicos sobre o organismo. Eles produzem influências energéticas/fisiológicas que predispõem a pessoa à doença.
Como podem ser transmitidos de geração para geração, os miasmas são uma via energética pela qual, acontecimentos ocorridos na vida dos pais podem ser transmitidos aos filhos.
O miasma, ou seja, o conceito de miasma, proporciona-nos a interpretação do velho ditado que diz: “os filhos herdam os pecados dos pais”.
Os miasmas ficam armazenados no corpo subtil, influenciam o mental e o emocional. Alguns miasmas são transmitidos geneticamente para as gerações seguintes. Na verdade, podemos dizer que os miasmas são um padrão cristalizado do karma.
Um miasma não é necessariamente uma doença; é o potencial, a pré-disposição para a doença.
Os miasmas podem manter-se adormecidos no corpo subtil durante longos períodos, aos poucos, através dos campos bio-magnéticos, penetram no nível molecular, depois no celular (células individuais) e finalmente, no corpo físico.
Existem três tipos de miasmas que afectam a humanidade: o planetário, o herdado e o adquirido.
Os miasmas planetários são armazenados na consciência colectiva do planeta e nos éteres. Podem penetrar no corpo físico, embora não possam lá ser armazenados.
Os miasmas herdados são armazenados na memória celular das pessoas.
Os miasmas adquiridos são doenças agudas ou infecciosas ou toxicidade química adquirida ao longo de uma dada existência.
Depois da fase aguda da doença esses traços miasmáticos fixam-se nos corpos subtis e nos níveis celular e molecular, onde podem acabar por provocar outros problemas.
Depois de muito estudar e reflectir, o Dr. Hahnemann distinguiu três Miasmas que estão na origem de todas as enfermidades que afectam a humanidade.
Chegou à conclusão que existiam algumas condições bloqueadoras que impediam a cura total do paciente e são estes obstáculos à cura que ele designou de MIASMAS, são: a psora, a sycosis e a syphilis (luesis).
Ao primeiro, chamou-lhe "PSORA" (do grego: "rascar" e mais provavelmente do hebreu "tsorat": ruptura, divisão, falha), é o mais básico de todos, é a MÃE de todos os miasmas. É da Psora que nascem os outros dois.
A Psora caracteriza-se por produzir todos os processos de exaltação das forças vitais, funcionais, nos três níveis, mental, emocional e dos órgãos (físico).
Ao segundo, chamou-lhe “SICOSIS” (do grego: "sykon", filho), é o encarregue de produzir todos os fenómenos de hipertrofia, como verrugas, nódulos, fibroses, tumores, alterações mentais que alteram a afectividade e transformam o homem num ser sem sentimentos, etc.. Manifesta-se com exuberância.
A sicosis estava associada a doenças reumáticas nas articulações e a distúrbios na região pélvica, na pele e no sistema digestivo.
Ao terceiro, chamou-lhe “SIFILIS” (nome de pastor Syphilo, que tinha relações com os seus animais), é o miasma que encarregue de produzir todos os fenómenos de destruição dos processos vitais, como úlceras, cancros, hipotonia celular e a nível mental melancolia, que pode culminar em intentos de autodestruição.
No parágrafo 79º do Organon, o 1º parágrafo em que fala da sicosis e da luesis, o Dr. Hahnemann refere-se assim a estes dois miasmas:


§ 79
“Até agora só a sífilis tem sido conhecido, até certo ponto, como a enfermidade miasmática crónica, que quando não é tratada só acaba com o fim da vida. A sicosis (a enfermidade condilomatosa), igualmente não erradicável pela força vital, sem tratamento médico apropriado, não era reconhecida como uma enfermidade miasmática crónica de carácter peculiar, que apesar de tudo o é indubitavelmente, e os médicos pensam que a curaram quando destruíram as excrescências da pele, mas a discrasia ocasionada por ela escapa à sua observação.”

                                                                                                            (Organon ou Arte de Curar)



É assim, num dos três miasmas ou nas três manifestações, onde têm origem os males de todos os seres vivos.
A tarefa mais árdua do médico homeopata, é erradicar definitivamente toda a manifestação miasmática do organismo – CURAR - é este o objectivo da homeopatia.
É importante salientar que um miasma é um factor que desequilibra (perturba) a energia vital e, por isso, predispõe o organismo às enfermidades, ao mesmo tempo que condiciona as manifestações desse desequilíbrio.
O maior desafio da vida do Dr. Hahnemann foi a Psora, foi descobri-la e compreende-la.
O facto de perceber que determinados pacientes, submetidos a tratamento homeopático, não alcançavam a cura total, fê-lo pensar na existência de miasmas.
Observou que alguns pacientes tinham sintomas que desapareciam e voltavam mais tarde, ou, só ficavam atenuados.
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A PSORA é, como referi, a perturbação primordial da energia vital. É a causa da desordem interna do homem, que se manifesta sob a forma das mais variadas doenças agudas e crónicas que afligem a civilização actual. É tão abrangente que vem desde os primeiros erros da raça humana, que estão na origem da primeira doença verdadeira da Humanidade, a doença espiritual. Se a humanidade tivesse seguido um percurso perfeito, a Psora não existiria.
É um miasma que há milhões de anos, aflige a humanidade.
Acerca da Psora, é interessante ver o que o Dr. Hahnemann nos diz no parágrafo 80º do Organon:


§80
“Incomparavelmente muito maior e mais importante que os dois miasmas crónicos que se acabam de citar, é o miasma crónico da psora, que enquanto os outros dois revelam a sua discrasia interna específica, um pelo cancro venéreo e outro por excrescências em forma de couve-flor, é também, depois de realizar a infecção interna de todo o organismo, que se manifesta por uma erupção cutânea peculiar, consiste por vezes nalgumas vesículas acompanhadas de comichão intolerável e irritante (e um odor peculiar), o monstruoso miasma crónico interno – a psora, a única causa fundamental e real produtora de todas as outras numerosas formas de doença (78), posso dizê-lo, que baixo os nomes de debilidade nervosa, histeria, hipocondria, mania, melancolia, imbecilidade, loucura, epilepsia e convulsões de toda a espécie, enfraquecimento dos ossos (raquitismo), escoliose e cifose, cárie, cancro, fungos, hematomas, neoplasma, gota, hemorróidas, icterícia, cianose, hidropisia, amenorreia, hemorragia do estômago, do nariz, dos pulmões, da bexiga e do útero, asma e ulceração dos pulmões, impotência e esterilidade, enxaqueca, surdez, catarata, amaurose, cálculos urinários, paralisia, defeitos dos sentidos e dores de mil espécies, etc., aparecem em trabalhos sistemáticos de patologia como enfermidades peculiares e independentes.

                                                                                                                    (Organon ou Arte de Curar)



A doença espiritual foi a primeira doença da humanidade, a partir da qual desenvolveu grande susceptibilidade para a Psora, que se tornou na base, na origem de todas as doenças.
Todas as doenças do homem têm a Psora como mãe, formam-se sob a sua infuência.
A Psora é o mais importante dos miasmas, é a causa fundamental de todas as formas de doença, que pelos seus diferentes nomes, foram consideradas em vários trabalhos de patologia como doenças independentes.
A Psora existe porque o caminho de cura normal foi, nalgum momento, contrariado. A capacidade de defesa do organismo encontrou um obstáculo.
Esta interferência no curso natural de libertação de energia pode acontecer objectivamente (por tratamentos supressores), ou subjectivamente (por pensamentos menos correctos, emoções, desinteresse, falta de vontade, modo de vida, etc.).
Desde os primeiros tempos que a Psora progride de simples estadios patológicos até aos mais complexos e complicados, nem sempre sozinha, mas muitas vezes com a ajuda “valiosa” de drogas (químicos), da intoxicação que durante gerações criou o terreno propício à manifestação da doença, ou seja, ao aparecimento da manifestação física da doença interna que tem como base a psora.
A psora é o miasma que predispõe o organismo para todas as enfermidades, porque coloca a energia vital num estado de hipersensibilidade, aos agentes agressores, de qualquer natureza (mental, emocional, físico, químico, climático, etc.).
No tempo de Hahnemann, o termo psora significava “sarna”. Esta palavra englobava várias patologias que possuem em comum sintomas da pele: pústulas, exantemas, escamações e o prurido. As manifestações com prurido são a primeira forma de expressão física deste miasma, uma das razões porque o Dr. Hahnemann o chamou de psora.
É interessante notar que a palavra que, em medicina, denomina as erupções cutâneas avermelhadas é exantema, palavra de origem grega que significa “eflorescência”, “surgimento da flor”, ou seja, uma manifestação que aflora, que exterioriza um desequilíbrio interno.
Segundo a Lei de Hering, a doença cura-se de dentro para fora, de cima para baixo e pela ordem inversa do aparecimento dos sintomas. A força vital, cuja função é preservar o organismo, usa a manifestação externa, cutânea, dos sintomas, que é um processo de defesa natural do organismo. Por isso, a pele e as mucosas são as partes mais propícias para a manifestação das enfermidades, constituem a periferia do organismo.
As alterações mais comuns da pele e mucosas representam o processo de libertação de energia necessário para a cura (de dentro para fora).
Com um início subtil, pouco notado, a Psora progride e manifesta-se pela doença crónica (epilepsia, insanidade, doenças malignas, tumores, úlceras, catarros, erupções cutâneas, etc.).
Os sintomas psóricos (mentais ou físicos) melhoram com o aparecimento de erupções na pele, estas manifestações, que aparecem numa pessoa sob a influência da psora, mostram o esforço da força vital (de dentro para fora), ao promover o caminho natural de cura, preservando as zonas mais importantes do organismo (órgãos internos). É a manifestação externa de um desequilíbrio interno.
As doenças podem ser entendidas sob os vários aspectos que a energia pode assumir, desde o imaterial (transtornos mentais) até ao concreto (lesão de um órgão). A supressão é a interiorização dessa energia, que pode sobrecarregar ou ser desviada e atingir órgãos mais importantes.


§202
“Se o médico da velha escola destruir o sintoma local pela aplicação tópica de remédios externos, debaixo da crença que então cura toda a doença, a Natureza compensa a sua perda, excitando a enfermidade interna e os outros sintomas que existem previamente num estado latente lado a lado com a afecção local; quer dizer, aumenta a doença interna. Quando isto acontece, normalmente diz-se, embora incorrectamente, que a afecção local retrocedeu para o interior do organismo ou para os nervos pelos remédios externos.

                                                                                                                                                                                          (Organon ou Arte de Curar)


A psora não se limita aos sintomas da pele, quando está activa, produz quadros agudos e repetidos, que são a resposta a supressões antigas.
Ao longo dos anos, geração após geração, a alopatia com aplicações externas, locais e com a utilização de químicos, foi suprimindo os sintomas e não promovendo a cura.
A supressão dos sintomas, não os cura mas proporciona, estimula a manifestação interna da doença, e os sintomas que estavam latentes aumentam e afectam outros órgãos, promovendo novas patologias cada vez mais complicadas. Pela supressão podem aparecer as afecções cancerígenas, doenças pulmonares e de coração, afecção da pele e destruição geral do organismo que pode levar a um estado de degradação total.
A inibição do processo vital de cura, pela supressão dos sintomas, pelo tratamento externo da manifestação da enfermidade, provoca tensão no organismo.


§203
“Todo o tratamento externo destes sintomas locais, cujo objectivo é removê-los da superfície do corpo, enquanto a doença miasmática interna é deixada sem cura, por exemplo, suprimir da pele as erupções psóricas por meio de toda a espécie de pomadas, queimar as úlceras com cáustico e destruir os condilomas com o bisturi, a ligadura ou o actual cautério; este modo externo pernicioso de tratamento, até hoje praticado universalmente, foi e fonte mais produtiva de todas as inúmeras doenças crónicas denominadas e inominadas debaixo das quais a humanidade geme; este tratamento é um dos mais criminosos procedimentos de que é culpado o mundo médico, e contudo é um dos que em geral são adoptados e ensinados nas cátedras profissionais, como o único método.”

                                                                                                                                                                                     (Organon ou Arte de Curar)



A supressão externa sem a cura da doença miasmática interna é a forma mais comum de alimentação da doença crónica que afecta a humanidade.
A exoneração, ao contrário, é a “superficialização” da energia, é a trajectória centrífuga (de dentro para fora), caminho natural de cura, preservando partes mais importantes do organismo.
Para o Dr. Hahnemann, a psora é o resultado da supressão de uma manifestação cutânea exonerativa.
As interferências que uma pessoa sofreu ao longo da sua vida, e que impediram a trajectória natural de cura são supressões antigas que acabam por intensificar a psora, e deixam o organismo permanentemente susceptível. Assim, a debilidade congénita do homem, ou seja a carga “geneto-heredo-familiar”, o marasmo e as variadas doenças de carácter crónico, são as “sementes” dos miasmas.
A Homeopatia sabe que o fundamental não é a agressão externa, mas sim a susceptibilidade do indivíduo, que deixa o terreno propício à manifestação da doença.
Não se pode tratar apenas o local afectado, ou seja, um órgão ou parte do corpo atingido pela doença. Se o sintoma for removido, isso não constitui a verdadeira cura que só se dá quando é feita internamente (a cura faz-se de dentro para fora).
O verdadeiro tratamento homeopático visa a cura da totalidade, a cura daquilo que deixa que a pessoa adoeça: a psora (o miasma).
A psora, por ser um aumento da capacidade do organismo de reagir para preservar a vida, demonstra a vitalidade do organismo.
Portanto, curar a psora não é promover o seu desaparecimento, mas sim levar a psora activa ao estado de psora latente, o que quer dizer levar a psora ao ponto de “equilíbrio dinâmico”. Quando o conseguimos, o indivíduo está num estado de saúde equilibrado, desde o mental ao físico, mas esse estado não é estático, existem os sintomas, que no entanto não impedem a pessoa de viver, de se desenvolver e de evoluir.
Por outro lado, a psora activa é sinónimo de hipersensibilidade, de desequilíbrio. Permite o aparecimento de transtornos funcionais que no seu conjunto são a patologia.
A psora, por ser um aumento da capacidade do organismo de reagir para preservar a vida, demonstra a vitalidade do organismo.

Depois da psora, vou falar da sicosis que é o miasma que predispõe o organismo às manifestações proliferativas.
Aparece nalgumas pessoas anteriormente afectadas pela psora.
O Dr. Hahnemann denominou todos os estados crónicos segundo os sinais mais evidentes dos respectivos miasmas: A psora é igual a sarna, prurido, sicosis é igual a tumor, secreções.
A palavra sicosis, refere-se a “tumor”, pois as manifestações externas principais desse miasma são as tumorações (verrugas, pólipos, tumores...), além das secreções patológicas.
O Dr. Hahnemann associou o aparecimento da sicosis com a supressão de infecções genitais, da mesma forma que associou a supressão dos pruridos com a origem da psora.
Com a evolução da Homeopatia, outras associações foram sendo feitas para justificar o aparecimento deste estado miasmático, por exemplo: as vacinações e outras inoculações repetidas de substâncias estranhas ao organismo, como os antibióticos.
Os sintomas dos doentes sicóticos melhoram com a libertação das secreções patológicas como catarros, pus e corrimentos; na pele, a exoneração mais comum são as verrugas.
A sicosis representa uma modificação patológica da capacidade reactiva do organismo. A energia vital, que na psora expressa hiper-função (para preservar o organismo através da exoneração) e produz sintomas funcionais, passa a produzir, na sicosis, sintomas proliferativos (tanto mentais quanto físicos) que expressam uma disfunção.
A sicosis, podemos dizer que é a “perversão” da psora.
São sintomas da sicosis na esfera mental: perversão dos sentimentos, agressividade, exacerbação da sexualidade, egoísmo (hipertrofia do ego).
Na psora vemos o prurido mental reflectir-se no prurido físico. Na sicosis vemos a hipertrofia do ego reflectir-se na hipertrofia dos tecidos.
São sintomas da sicosis na esfera física: tumores benignos, verrugas, catarros, supurações...
O miasma denominado “sífilis” ou “luesis”, como vimos, predispõe o organismo às manifestações destrutivas. Assim como a sicosis, também a sífilis aparece nalgumas pessoas previamente afectadas pela psora.
O estado psórico é consequência de um distúrbio dos mecanismos normais de defesa do organismo, o qual se torna hipersensível. A psora possibilita, então, o aparecimento de outros miasmas – a sicosis e a sífilis.
A sicosis, como já vimos, caracteriza-se pela tendência à proliferação, à hipertrofia.
A sífilis, por sua vez, caracteriza-se pela tendência à destruição.
Essas tendências que caracterizam cada miasma são percebidas sempre na totalidade do indivíduo, desde a esfera mental até o físico.

  • Na psora, o prurido da mente reflecte-se no prurido da pele.
  • Na sicosis, a hipertrofia do ego reflecte-se na hipertrofia dos tecidos.
  • Na sífilis, a destruição da mente reflecte-se na destruição dos tecidos.

Por isso, um doente cujo miasma predominante é sífilis apresentará sintomas com tendência destrutiva desde o mental até o físico.

  • São exemplos de manifestações físicas do miasma sifilítico ou luesis: as ulcerações.
  • São exemplos de manifestações mentais do miasma sifilítico: a agressividade, o desejo de vingança, a tendência ao suicídio (autodestruição), sentimentos de ódio etc...
Os transtornos do paciente, sob influência da luesis, aliviam com o aparecimento de úlceras na pele e mucosas e com as secreções purulentas.

  • A psora é caracterizada pela hipersensibilidade do organismo.
  • A sicosis, pela disfunção do organismo.
  • A luesis, leva à deficiência ou falta de reacção natural do organismo.

Enquanto que a sicosis perverte a psora, o miasma sífilis/luesis, inibe a psora.
Não se pode confundir o miasma “sífilis” ou luesis, com a patologia denominada “sífilis”. O Dr. Hahnemann usou a patologia sífilis como modelo para ilustrar as manifestações do miasma caracterizado pela destruição, por isso utilizou o mesmo nome.
A compreensão do miasma e a sua cura homeopática são a forma de prevenção mais completa de toda a medicina, porque o homeopata consegue distinguir o momento de tratar mesmo antes de aparecerem os sintomas físicos, antes que a doença surja como entidade nosológica tal qual é estudada pela patologia.
O homeopata pode detectar a doença quando ela ainda é apenas “lesão dos sentimentos”.
A medicina convencional tende a preocupar-se com o agente agressor que em geral está associado à patologia, quase sempre a culpa maior recai sobre um factor externo (microorganismos) para o qual é direccionado o tratamento. Além disso, o médico convencional concentra a sua terapia na parte do organismo que está sensivelmente afectada, como se o problema fosse restrito àquele local específico.

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Para concluir o que acabei de dizer sobre os miasmas, vou referir alguns parágrafos do Organon onde o Dr. Hahnemann nos fala de miasmas e conclui (204§) que se excluirmos as afecções crónicas causadas por hábitos de vida menos saudáveis e a doença iatrogénica, a maioria das doenças crónicas resulta do desenvolvimento de um dos três miasmas:
·        luesis, sicosis e psora (principalmente da psora interna).
Só a extinção homeopática dos miasmas, com o medicamento interno apropriado, que tiver a capacidade de absorver o miasma, poderá reduzir o número de doenças crónicas que afectam a humanidade.
Seguidamente, no (205§) fala da correcta actuação do homeopata a fim de promover a cura.
O homeopata não trata os sintomas primários do miasma, nem as afecções secundários por meio de remédios locais, nem por agentes externos que agem dinamicamente, nem pelos que actuam mecanicamente. Não adianta fazer extirpações de tumores, por ex., sem curar a doença que está a afectar internamente o organismo, pois caso contrário a doença terá que se manifestar noutro local, noutros órgãos, senão, até a data da morte pode ser apressada.


§204
Se exceptuarmos todas as afecções crónicas, sofrimentos e doenças que dependem de um modo insalubre de vida persistente (§77), e também as inumeráveis doenças medicamentosas (§74) provocadas pelo irracional, persistente, fatigante e pernicioso tratamento das doenças muitas vezes só de carácter trivial por médicos da velha escola, a maioria das restantes doenças crónicas resultam do desenvolvimento destes três miasmas crónicos, a siphílis interna, a sicosis interna, mas principalmente e numa proporção infinitamente maior que a psora interna. Cada uma destas infecções já tinha atacado todo o organismo, e invadindo-o em todas as direcções antes do aparecimento do primeiro sintoma local substituto de cada um deles (no caso da psora a erupção sarnosa, no caso da sífilis a úlcera venérea ou o bubão, e no caso da sicosis os condilomas) que previnem a sua explosão; estas enfermidades crónicas miasmáticas, se se lhes tira o seu sintoma local, estão inevitavelmente destinadas pela Natureza, toda poderosa, a mais tarde ou mais cedo a desenvolverem-se e a explodirem, e deste modo a propagarem todas as misérias sem nome, o incrível número de doenças crónicas que têm infestado a humanidade por centenas de milhares de anos, nenhuma das quais se teria manifestado tão frequentemente se os médicos tivessem procurado essa maneira de curar radicalmente e extinguirem estes três miasmas sem utilizarem remédios locais para corresponderem aos sintomas externos, confiando somente nos remédios homeopáticos internos para cada um deles. (ver nota ao §282).

(Organon ou Arte de Curar)


Para curar, o homeopata trata o miasma do qual os sintomas dependem.
Quando o miasma é curado, os sintomas primários e secundários desaparecem espontaneamente.
É por não ser esta a forma de tratamento utilizada pelos médicos da velha escola (alopatas), que o homeopata encontra muitas vezes os sintomas primários já destruídos pela aplicação de remédios externos (supressão de sintomas) e depara-se com sintomas secundários difíceis de tratar que causam a Doença Crónica.
Para que esta doença crónica posse ser curada, para que se possa tratar correctamente (206§), o médico deve diferenciar o quadro da doença “Picture”, para saber se o doente teve uma infecção venérea (resultante da luesis - o tratamento deve ser dirigido a ela) ou uma infecção com gonorreia condilomatosa (psora).


§205
“O médico homeopata nunca trata um destes sintomas primários do miasma crónico, nem uma das suas afecções secundárias que resultam do seu desenvolvimento posterior, por meio dos remédios locais (nem por aqueles agentes externos que agem dinamicamente, nem por aqueles que actuam mecanicamente), mas cura só o grande miasma do qual dependem, nos casos onde aparece um ou o outro, e deste modo os seus sintomas primários como também os seus sintomas secundários desaparecem espontaneamente; mas como este não era o método seguido pelos praticantes da velha escola, que o precederam no tratamento do caso, o médico homeopata em geral e infelizmente, vai encontrar os sintomas primários já destruídos pelos remédios externos, e agora tem de fazer mais com os sintomas secundários, isto é, as afecções resultantes da eclosão e desenvolvimento destes miasmas inerentes, mas em especial com as doenças crónicas causadas pela psora interna. Para o seu tratamento interno aconselho ao leitor a minha obra As Doenças Crónicas, onde indico o meio que deve ser seguido e um modo tão rigoroso que um simples médico só poderia fazê-lo depois de muitos anos de reflexão, observação e experiência.”
(Organon ou Arte de Curar)



§206
“Antes de começar o tratamento de uma doença crónica, é necessário fazer uma investigação muito cuidadosa para saber se o paciente teve uma infecção venérea (ou uma infecção com gonorreia condilomatosa); e assim o tratamento deve ser dirigido só a esta, quando só estão presentes os sinais da sífilis (ou da rara doença condilomatosa), mas actualmente esta doença é muito rara de se encontrar isolada. Se esta infecção ocorreu previamente, deve-se ter em conta no tratamento daqueles casos onde a psora está presente, porque neles, porque neles o último (miasma psórico) está complicado pelo primeiro (miasma luesis), como sempre quando os sintomas não são aqueles de pura luesis; quando o médico pensa que tem diante de si um caso da velha doença venérea, tem sempre, ou quase sempre, de tratar uma afecção síphilitica acompanhada na maioria (complicada com) pela psora na discrasia sarnosa interna. A psora é de longe a causa mais frequente das doenças crónicas. Por vezes, ambos os miasmas podem também complicar-se com a sicosis em organismos cronicamente enfermos, ou, como é muito mais frequente o caso, a psora é a única causa fundamental de todas as outras doenças crónicas, qualquer que seja o nome que tenha, e que são além do mais, na maioria das vezes, misturadas, aumentadas e desfiguradas até a um grau monstruoso pela imperícia alopática.”

(Organon ou Arte de Curar)

A luesis e a psora podem também complicar-se com a sicosis, em organismos cronicamente doentes, mas a psora é a causa fundamental de todas as doenças crónicas. Qualquer que seja a doença, a psora é a mãe de todos os miasmas e de todas as doenças crónicas, é a grande causa da doença crónica.

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